Jornal Tijucas - Dólar negocia em alta, seguindo o pessimismo nos mercados internacionais

Dólar negocia em alta, seguindo o pessimismo nos mercados internacionais

Negócios -

O dólar sobe nesta quarta-feira, refletindo o clima pessimista nos mercados internacionais. A moeda americana chegou a avançar mais, mas a notícia de que a Alemanha vai reabrir as escolas no início de março arrefeceu o movimento. O dólar é negociado com alta de 1,027% para 5,2439 reais.

Para Bruno Lima, analista de ações da EXAME Research, investidores têm comparado a curva de casos e falecimentos devido ao novo coronavírus no Brasil com a da Alemanha. “Nesse sentido, a reabertura das escolas alemãs oferece mais visibilidade de retomada da atividade da economia brasileira”, afirma.

O que havia restado do otimismo da última semana parece ruir, conforme ficam mais claros os impactos econômicos do novo coronavírus. Os investidores endossam a aversão a risco, com as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) de recessão global de 3% neste ano e de 5,3% para o Brasil.

O mercado também segue atento aos dados sobre as vendas de varejo nos Estados Unidos referente ao mês de maio e ao Livro Bege do Federal Reserve, que será publicado no período da tarde. Expectativas pessimistas quanto à queda de demanda por petróleo também deixam os investidores mais defensivos.

A Agência Internacional de Energia (IEA) projetou nesta quarta-feira uma queda de 29 milhões de barris por dia na demanda por petróleo em abril, para níveis não vistos há 25 anos, alertando que cortes de produção não poderão compensar totalmente a queda do mercado no curto prazo.

Os futuros do petróleo Brent, referência internacional, caíam cerca de 4% pouco após o relatório mensal da IEA, operando próximos de 28,30 dólares por barril.

A IEA estimou uma queda de 9,3 milhões de bpd na demanda em 2020, apesar de ter qualificado como “um sólido início” o acordo entre produtores para restrições recorde à oferta de petróleo, como resposta à pandemia do coronavírus.

“Ao reduzir o pico do excesso de oferta e achatar a curva de crescimento dos estoques, eles ajudam um sistema complexo a absorver o pior da crise”, disse a agência com sede em Paris em seu relatório mensal.

“Não há um acordo viável que possa cortar oferta o suficiente para compensar tais perdas de demanda no curto prazo. No entanto, o acordo da semana passada é um sólido início”.

Entre os eventos da agenda econômica do dia, está a divulgação de como está o estoque de petróleo americano – o que pode influenciar o preço da commodity. Mas, as perspectivas também não são positivas. “Os dados de estoque podem continuar a surpreender negativamente (ou seja, vindo acima do esperado) dado o intervalo de tempo para que cortes de produção produzam frutos e a demanda ainda deprimida por conta da quarentena em curso”, escreveram analistas da XP Investimentos em relatório.


Fonte: Com Agências