Jornal Tijucas - Estudante de medicina de SC mostra dificuldades enfrentadas por brasileiros para deixar a Bolívia

Estudante de medicina de SC mostra dificuldades enfrentadas por brasileiros para deixar a Bolívia

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Catarinense relata drama em situação ao tentar retornar da Bolívia para o Brasil

Catarinense relata drama em situação ao tentar retornar da Bolívia para o Brasil

Há dias tentando repatriação, a estudante de medicina Jane Juçara Proença Lima registou em vídeos as dificuldades enfrentadas por brasileiros que querem deixar a Bolívia durante a pandemia do novo coronavírus. A catarinense de Gaspar, no Vale do Itajaí, diz que faltam informações e auxílio da Embaixada do Brasil no país vizinho. Eles enfrentam também dificuldades para sacar dinheiro.

A Jane estuda Medicina em Oruro. Ela ficou ao menos duas semanas tentando repatriação junto com outros brasileiros até conseguir embarcar para a fronteira na terça-feira (7). Até a manhã desta quinta-feira (9) ela continuava em viagem e ainda não havia chegado a São Paulo. Em vídeos, ela mostrou algumas das dificuldades que os brasileiros estão enfrentando para sair da Bolívia.

Espera e falta de dinheiro

No sábado (4) e também na quarta-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro falou sobre a repatriação de brasileiros em diversos países. Mas na Bolívia, um vídeo mostra pessoas recebendo borrifadas de um produto, o que seria o tipo de desinfecção que é feita nos brasileiros que voltam em ônibus lotados para o Brasil. No sábado ela gravou o primeiro vídeo.

"Somos 400 brasileiros na lista pelo consulado de Cochabamba para ir embora, que estão esperando ir embora desesperadamente", contou.

Segundo ela, ainda no sábado, após dias de tentativa, surgiu uma viagem de repatriação, mas custaria pelo menos R$ 353 (até a fronteira). "Parece que vai sair um ônibus para fronteira, 600 bolivianos, eu não tenho dinheiro, não consegui sacar o dinheiro. Não sei o que fazer. Vou chegar lá, vou ver. Procurar amigos, vou procurar o consulado, procurar ajuda", disse.

No domingo (5) ela e uma amiga conseguiram autorização do governo boliviano para uma carona até Cochabamba. Quando chegaram lá, não tinha o hotel que dizem ter sido prometido pelo consulado Brasileiro. Foram para casa de desconhecidos. Depois, pegaram fila de horas em um supermercado.

 

"Acabou o dinheiro. Fizemos compras para ter comida pra levar até a fronteira. Agora estou falando com a minha família, para ver se eles conseguem me mandar dinheiro. Fiquei sabendo que aqui eu não consigo tirar em dólar ou em reais, não estão tirando, só em bolivianos", afirmou Jane.

 

Depois das compras, elas foram para um hotel que teria sido indicado pelo Consulado brasileiro, mas quando chegaram ao local a administração nem estava sabendo da chegada deles. "Não tem atenção, não tem como ficar, ela [a consulesa] não ligou pra avisar", informou Jane.

Sem circulação de carros, fizeram todos os trajetos a pé com muitas malas. Elas conseguiram abrigo na casa de um brasileiro na cidade.

 

Embarque para o Brasil

 

Na terça-feira (7), ela e outros brasileiros conseguiram deixar a cidade. Saíram três ônibus cheios em direção à fronteira com o Brasil. "Antes de enfrentarem 10 horas dentro do ônibus lotado, passaram por avaliação médica. Depois, finalmente os veículos saíram escoltados de Cochabamba para Puerto Quijarro, na fronteira com Corumbá, no estado de Mato Grosso do Sul.

Por volta das 12h de quarta-feira (8), eles estavam entrando no Brasil. As malas foram desinfectadas e seguiram viagem até São Paulo. Segundo a Jane, ônibus foram fretados pelos próprios brasileiros, que desembolsaram mais R$ 330.

"A gente pegou um ônibus até Campo Grande e depois vai pegar outro até São Paulo. Não depois como vou fazer para chegar em Santa Catarina", informou Jane em um vídeo gravado no meio da tarde.

Na manhã desta quinta-feira ela informou ao G1 que ainda faltavam quatro horas para chegar a São Paulo, pois havia pessoas de diferentes estados no mesmo ônibus e precisaram trocar de transporte no caminho.

 

"De lá do terminal do Tietê vamos ver o que fazer, se tem transporte, se tem carona. Eu, por exemplo, tinha carona de caminhão. Agora não sei se vai dar mais tempo de pegar essa carona", disse Jane.

O que diz o Itamaraty

 

Sobre a situação desses brasileiros, por nota, o Itamaraty disse que está trabalhando para repatriar todos e que 680 brasileiros já foram repatriados da Bolívia.

Segundo o Itamaraty, estudantes que estão lá se enquadram como moradores do país, mas que mesmo assim, o Brasil está organizando a repatriação com transporte terrestre, através de negociação com o governo boliviano.


Fonte: Com Agências