Jornal Tijucas - Brasil se cala na ONU sobre denúncias e ataca países por impedir tratamento

Brasil se cala na ONU sobre denúncias e ataca países por impedir tratamento

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O ministro de Relações Exteriores,  Ernesto Araújo, e o deputado Eduardo Bolsonaro durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.   - Marcelo Camargo / Agência Brasil
 
O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o deputado Eduardo Bolsonaro durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O governo brasileiro usou uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, nesta quinta-feira, para criticar governos que têm se utilizado de barreiras comerciais e restrições para dificultar o acesso a remédios e tratamentos em meio à pandemia do coronavírus.

Os ataques do Itamaraty ocorrem em um momento em que, no exterior, o governo está sendo alvo de uma avalanche de denúncias de violações de direitos humanos por conta do comportamento do presidente Jair Bolsonaro.

Nas últimas semanas, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, recebeu queixas por parte de deputados, ongs e entidades internacionais contra o governo brasileiro. De uma forma geral, as denúncias alertaram sobre a responsabilidade de Bolsonaro em minimizar a doença e, de forma insistente, violar as orientações da OMS e difundir notícias falsas sobre a situação.

Durante a reunião, porém, a chancelaria preferiu usar o encontro para defender suas ações, insistir sobre a necessidade de manter a economia e lançar críticas, sem citar os nomes dos países que seriam alvos das críticas.

"Todas as nossas nações estão sendo confrontadas pela tarefa difícil de protege vidas, garantir direitos humanos e assegurando nossas economias", disse a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo. "Covid 19 está desafiando os direitos humanos de todos, em todos os lugares", disse.

Segundo ela, "sistemas de saúde quase entraram em colapso em muitos países". "Sem fortalecer nossa preparação à emergência de saúde e criando resiliência em nossos sistemas de saúde, não iremos sobreviver seja a essa ou outras pandemias", alertou.

A embaixadora também aponta que tampouco o mundo será capaz de garantir os direitos humanos de todos à saúde ou aqueles em necessidade.

Mas o discurso também foi usado para criticar governos estrangeiros. "Estamos profundamente preocupados com as dificuldades em obter suprimentos essenciais para lutar contra o Covid 19, diante de restrição de exportações e outras medidas", disse a embaixadora.

"Acesso a esses bens vai determinar quem vive e quem morre. Simples assim. É imperativo que possamos garantir acesso ao tratamento, vacinas e produtos médicos, com preços adequados", defendeu, alertando que essa é uma "questão de igualdade".

O Itamaraty ainda voltou a repetir o mantra do governo Bolsonaro sobre a necessidade de manter a economia. "Os direitos econômicos também estão sendo ameaçados", alertou a diplomata.

"Medidas para preservar a economia, apoiar empresas e lidar com emprego estão sendo adotadas em vários países, inclusive no Brasil", insistiu. "Precisamos limitar o impacto dessa emergência na renda das pessoas", disse.

Segundo ela, o governo está "preocupado com os mais vulneráveis" e defendeu que tal população merece medidas extraordinárias.


Fonte: Com Agências