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David Uip em coletiva de imprensa sobre coronavírus em São Paulo

Questionado sobre o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina para tratar o próprio quadro de Covid-19, o infectologista Davi Uip - que coordena o Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo - foi enfático ao afirmar que o seu caso deve ser tratado de maneira individual, e não como modelo para a aplicação de qualquer medicamento.

A dúvida sobre o tratamento do profissional de saúde tornou-se recorrente nas redes sociais após a confirmação do seu diagnóstico positivo para Covid-19, no dia 23 de março. Desde então e até o início desta semana, David Uip permaneceu em isolamento domiciliar, afastado do trabalho que desenvolve junto à secretaria de saúde de São Paulo.

De acordo com o infectologista , porém, o assunto não merece atenção e pede cautela. “Não há nenhuma importância no que eu tomei ou deixei de tomar. Eu não me prescrevi nenhum medicamento, não fui responsável pela minha recuperação. Fui tratado por profissionais em quem eu confio”, explicou. “As drogas que tomei durante a doença é um assunto extremamente pessoal e eu não quero transformar meu caso em modelo para coisa alguma”, acrescentou o médico.

Na ocasião, a recomendação sobre o uso da droga foi alterado pelo Ministério, que agora aconselha sua aplicação em casos hospitalizados por infecção do novo coronavírus (Sars-CoV-2) desde que haja consenso formal entre o médico e o paciente. Antes, o medicamento era indicado apenas em casos graves avançados, também com autorização formal do paciente ou família.

governo federal ainda chegou a elaborar um decreto para para alterar o protocolo em relação ao medicamento e flexibilizar seu uso no tratamento da doença. Na tarde desta terça-feira, porém, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, se recusou a assinar o decreto após a reunião no Palácio do Planalto.

A hidroxicloroquina e cloroquina são medicamentos de uso considerado experimental no tratamento do Covid-19, ainda sem evidências científicas sobre sua eficácia. Apesar disso, o presidente Jair Bolsonaro é um dos entusiastas pela liberação do medicamento, cuja produção chegou a ser ampliada nos laboratórios do exército.

As buscas pelo medicamento  aumentaram pelo menos 17.633% nas farmácias on-line brasileiras. O dado, divulgado pela plataforma Consulta Remédios, foi registrado a partir do dia 15 de março, quando o medicamento - endossado pelo presidente - passou a fazer parte do noticiário nacional. O aumento excessivo das buscas trazem um novo problema: a falta do medicamento para aqueles que realmente precisam, como portadores de lúpus e artrite, por exemplo.