Jornal Tijucas - Receita Federal deflagra operação para combater golpes durante pandemia

Receita Federal deflagra operação para combater golpes durante pandemia

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A Receita Federal deflagrou nesta semana a segunda fase da Operação Saldo Negativo. Nesta nova etapa, o objetivo do órgão é impedir que a fragilidade econômica causada pela pandemia do coronavírus estimule tentativas de fraude e sonegação.

Sete auditores atuarão de forma remota, analisando a documentação apreendida e cruzando dados – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND

Vulnerabilidade é maior durante crise

Segundo o coordenador da operação, Rogério Penna, a atuação dos auditores foi adaptada para a situação de isolamento social e será totalmente remota. “Estamos trabalhando com base na análise da documentação apreendida e cruzando dados” destaca Penna.

Os auditores-fiscais alertam que, em momentos de crise, é maior a tendência de empresas caírem em golpes. “Os empresários acabam se tornando mais vulneráveis, mas devem desconfiar de ofertas milagrosas. A venda de falsos créditos é um conto do vigário moderno”, ressalta o coordenador.

A operação ressalta o alerta do Gafi/Fatf (Grupo intergovernamental de Ação Financeira Contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo), que alerta mais de 200 países para “novos e emergentes riscos de crimes financeiros” em razão da Covid-19.

A segunda fase da Operação Saldo Negativo envolve sete auditores-fiscais em Santa Catarina.

Primeira fase

Com mais de dois anos de investigações, a primeira fase da operação foi deflagrada em 5 de novembro de 2019 pela Receita Federal e Polícia Federal. O objetivo foi desmontar uma quadrilha de estelionatários que vinha comercializando falsos créditos tributários a empresários.

As investigações apontaram que consultorias tributárias comercializavam falsos créditos a empresários que imaginavam estar quintando dívidas fiscais com a Receita Federal. Na verdade, a organização criminosa embolsava a maior parte do valor dos tributos devidos.

Na ocasião foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão cumpridos nos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, além do Distrito Federal.

Prejuízo bilionário

O prejuízo causado aos cofres públicos foi apurado em cerca de R$ 2,3 bilhões. Aproximadamente 80% desses valores já foram objeto de auditoria por parte da Receita Federal, informa o órgão.

Conforme a Receita Federal, até a deflagração da operação em novembro de 2019, tinham sido identificadas mais de 3.500 empresas envolvidas na fraude, distribuídas por quase 600 municípios de todo o país.

A análise da documentação apreendida na primeira fase apontou a existência de intermediários da organização criminosa e que há outros criminosos agindo na venda de falsos créditos.


Fonte: Com Agências