Jornal Tijucas - Movimento tenta regularizar prática de atividade ao ar livre durante quarentena

Movimento tenta regularizar prática de atividade ao ar livre durante quarentena

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No Informe nº 3 sobre exercício físico e o coronavírus publicado no último dia 30 de março, a SBMEE (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte) recomenda a realização de atividade física ao ar livre, sem aglomerações, como forma de proteção do sistema imunológico, com benefícios diretos para a saúde física e mental.

Esse argumento técnico é o ponto de partida para um movimento que tenta flexibilizar as medidas restritivas impostas para o combate à pandemia do novo coronavírus no Estado, com a liberação de atividades físicas ao livre.

 

Para grupo de médicos é preciso mais clareza nos decretos referentes à atividade física ao ar livre durante o distanciamento social. – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

O movimento tem o médico cardiologista Artur Herdy como porta-voz e se depender do número de pessoas que frequentaram calçadões de São José e Florianópolis e a praia do Campeche, no Sul da Ilha, no último final de semana para prática de atividades físicas, não faltará apoiadores.

Ex-presidente da Sociedade Catarinense de Medicina do Esporte, Herdy cobra um esclarecimento nos decretos que estabeleceram as medidas de isolamento social, mas não contêm restrições a praticantes de esportes individuais. “O que está acontecendo é uma situação de indefinição, se pode ou não fazer atividade física ao ar livre, pois existem decretos que limitam o acesso aos espaços públicos, como praças e praias, mas sem uma proibição específica, e isso acabou impactando as pessoas no sentido de fazer a atividade física ao ar livre”, relata.

Herdy destaca que o Ministério da Saúde recomenda a realização de atividades físicas e que o Informe nº 3 da SBMEE busca tirar dúvidas quanto aos potenciais benefícios da atividade física em relação ao Covid-19. O documento transmite orientações com protocolos preventivos, mas deixa claro que tudo precisa ser feito de forma coordenada, em respeito às regras locais. “Todo mundo sabe o benefício (da atividade física), porém, em determinado local, (a liberação da atividade física) poderia estar atrapalhando uma política pública”, ressalta Herdy.

Para cardiologista, prática isolada é positiva

Para o médico cardiologista, uma situação é bastante clara: a prática da atividade física de forma isolada é positiva. “Para esse indíviduo, existe um ganho potencial muito maior de saúde do que um potencial de perda ou risco”.

Herdy salienta que as medidas restritivas não têm relação direta com a saúde das pessoas, mas sim com a preparação do sistema público e privado de saúde. “A política do isolamento social não impede que eu fique doente ou deixe de ter contato com o vírus. Ela apenas reduz a velocidade de propagação do vírus e isso ajuda a manter nosso sistema de saúde funcionando”, afirma Herdy.

O cardiologista atua também no Hospital Regional de São José e tem constatado de perto toda a mobilização em torno da pandemia. Por outro lado, tem atendido pacientes com transtornos gerados por medo, ansiedade, pânico entre outros problemas decorrentes do atual momento.

“Existe um efeito colateral desse isolamento social”, constata. O movimento tem tentado sensibilizar o prefeito Gean Loureiro e o governador Carlos Moisés, através de alguns interlocutores. “A gente está tentando sensibilizá-los, mas queremos fazer isso de uma forma coordenada”, destaca Herdy, que ressalta o papel importante da fiscalização, a cargo da GMF (Guarda Municipal de Florianópolis) e a PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina).

“Importante é todos estarem falando a mesma língua. A gente precisa encontrar um forma de fazer uma recomendação universal que seja entendido por todo mundo”, completa.

O que diz o decreto estadual 521/20

Art. 2º O Decreto nº 515, de 2020, passa a vigorar acrescido do art. 3º-B, com a seguinte redação:
“Art. 3º-B. Ficam proibidas a concentração e a permanência de pessoas em espaços públicos de uso coletivo, como parques, praças e praias, em todo o território catarinense.” (NR)

Cuidados são essenciais

Vice-presidente da ATC-SC (Associação de Treinadores de Corrida de SC) e membro do CREF3-SC (Conselho Regional de Educação Física do Estado), Fabiano Braun defende a adoção de cuidados para realização da atividade física ao ar livre. Para o dirigente e educador físico, ao praticar caminhada e corrida ou andar de bicicleta ou de skate, o cidadão precisa levar em consideração o local e evitar espaços que são usados por outras pessoas, para evitar aglomerações.

Braun lembra a recomendação feita no último sábado (4), em entrevista coletiva, pelo secretário do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, corredor há 40 anos, de que os praticantes devem manter a distância mínima de 1,5 metro, inclusive durante eventuais aproximações na corrida ou caminhada, por exemplo.

Ele acrescenta: “evite levar as mãos ao rosto durante a atividade e lave as mãos de forma adequada imediatamente ao final. Outra obrigação é portar uma garrafa para hidratação de uso individual, para não utilizar torneiras públicas – e que se evite cuspir no chão. Também é indicado um calçado específico para a modalidade praticada e que seja higienizado logo depois do uso”, aconselha.

O médico destaca ainda os benefícios da prática da atividade física, que vão além da melhora do sistema imunológico. “Esse tipo de atividade fará com que você consiga deixar a tensão longe. A corrida alivia o estresse, faz bem para a mente, humor e para disposição, e pode aliviar a ansiedade, sentimento comum nesta fase de isolamento social. O exercício físico, de maneira geral, libera serotonina e endorfina na corrente sanguínea, hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar. Mas é preciso ressaltar que os exercícios ao ar livre durante o combate ao coronavírus devem ser executados conforme os protocolos já estabelecidos”, reforça.

Profissionais de Educação Física estão liberados para atuar

A partir de segunda-feira (8/4), com a portaria da Secretaria de Saúde de Santa Catarina, profissionais de Educação Física têm liberação para retomar as atividades e o contato com os alunos no Estado. No entanto, há regras estabelecidas como o atendimento individual e higienização de ambiente e utensílios.

“Durante os exercícios deve-se ter cuidado em relação ao contato e com distância mínima de 1,5 metro entre professor e aluno, bem como o uso de máscaras, dentro de possibilidade, evitar colocar as mãos no solo diretamente e que colchonetes, acessórios e equipamentos sejam higienizados com álcool 70% antes e depois de cada sessão. Também sugerimos que o próprio aluno porte toalha e álcool gel para fazer higienização durante a sessão de treinamento”, comenta.

Segundo Braun, o CREF3-SC reforça que os treinamentos também podem ser feitos à distância, com o uso de videochamadas e outras ferramentas de mídias sociais para que aluno e professor tenham contato.


Fonte: Com Agências