Jornal Tijucas - Entenda os casos de subnotificação e os diferentes testes para a Covid-19

Entenda os casos de subnotificação e os diferentes testes para a Covid-19

Últimas notícias -

“Com certeza o número de infectados é muitíssimo maior que o estimado”, afirma a infectologista Carolina Ponzi, a respeito da subnotificação de casos da Covid-19. Esse fenômeno ocorre, principalmente, pela falta de testagem suficiente e pelo motivo de a maioria dos casos ser assintomático ou apresentar sintomas leves.

Casos confirmados de coronavírus devem aumentar com chegada de novos testes – Foto: Robson Valverde/Secom/Divulgação/ND

“Os casos que não são notificados – porque não têm a indicação de notificar, já que não conseguimos testar absolutamente todo mundo – estão por aí”, explica a infectologista. “Eles existem em grande quantidade, de forma que não conseguimos estimar”, completa.

No entanto, segundo Ponzi, o impacto desses casos é a perpetuação do vírus e o risco de contaminação de pessoas do grupo de risco. Em tese, cada positivo infecta cerca de 2,5 pessoas.

“É por isso que o isolamento é importante. Não sabemos se aquela pessoa que está com um ‘resfriadinho’ tem Covid-19 ou está assintomática e está transmitindo o vírus”, destaca a infectologista.

Testes

Para coletar amostras para os testes de coronavírus, utilizadas no teste de biologia molecular RT-PCR, aplica-se a técnica de swab combinados, com amostras coletadas de nasofaringe (narinas) e orofaringe (oral).

Swabs de Rayon são utlizados para coletar amostras no teste de coronavírus – Foto: Lacen/Divulgação/ND

swab trata-se de um cotonete estéril, que é inserido e esfregado nas narinas e na faringe dos pacientes.

No processo de nasofaringe, um swab é introduzido cerca de 5 cm na cavidade nasal, e direcionado para cima. O material é coletado das duas narinas, com um cotonete diferente para cada uma.

Procedimento de nasofaringe e orofaringe – Foto: Ministério da Saúde/Divulgação/ND

Um terceiro swab, o maior deles, é utilizado para coletar amostra da parte posterior da faringe e amídalas. Ele é introduzido pela boca até a região da garganta, sem tocar na língua.

Logo após os procedimentos, os três swabs são inseridos no mesmo frasco, que contém solução fisiológica. Depois da coleta, o material é congelado a 70 graus negativo, é acondicionado e enviado para o laboratório. O resultado é conhecido em até quatro dias.

Além disso, existem também os testes rápidos. Tais testes, no entanto, não são recomendados pela OMS (Organização Mundial da Sáude) para toda a população. Isso porque eles não costumam ser usados como único parâmetro e dependem de confirmação via biologia molecular.

O Ministério da Saúde, por sua vez, determinou que o teste rápido seria aplicado apenas em profissionais que estão na linha de frente do combate ao coronavírus.

Resultados podem mudar conforme a amostra

Os testes de biologia molecular RT-PCR utilizam uma das diferentes amostras: secreção nasal, secreção traqueal ou lavado broncoalveolar. A amostra utilizada no teste de cada paciente varia de acordo com o tempo de evolução da doença.

Isso significa que o resultado pode mudar se a amostra adequada para o caso não for utilizada na primeira testagem.

“Depende de qual teste você vai usar e em que momento do sintoma você vai usar. Não adianta fazer o teste de sangue antes do 5º ou do 7º dia, porque ele vai dar negativo”, esclarece Ponzi.

Da mesma forma, segundo a infectologista, não adianta realizar o procedimento RT-PCR em um estágio avançado, pois ele pode dar negativo, visto que o paciente terminou de excretar o vírus. “Quando analisamos a especificidade e a sensibilidade de um teste, temos que levar todas essas questões em consideração”, afirma.

“Se o momento correto de determinado teste não for respeitado, um resultado negativo não quer dizer que a pessoa não esteja infectada, e o contrário também é verdadeiro”, explica a médica.

De acordo com a Ponzi, garantir o método adequado, o período preciso e a interpretação do resultado são caminhos para assegurar uma maior acuracidade nos diagnósticos.

A infectologista reforça a importância de se confiar nos testes e nos profissionais da área. “Hoje as informações estão mais acessíveis à totalidade da população, que é leiga no assunto e pode acabar achando que os testes não funcionam”, alerta.


Fonte: Com Agências