Jornal Tijucas - Bolsonaro libera o gabinete do ódio para ter uma desculpa e demitir Mandetta

Bolsonaro libera o gabinete do ódio para ter uma desculpa e demitir Mandetta

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Jair Bolsonaro e Mandetta. Foto: Wikimedia Commons

De Robson Bonin na Coluna Radar da Veja.

Com o Brasil entrando no período mais crítico da pandemia de coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro deu, nas últimas horas, o passo definitivo para tirar o ministro Luiz Henrique Mandetta do governo.

Para desespero do núcleo militar do Planalto, que tenta evitar a demissão do chefe da Saúde, Bolsonaro liberou o núcleo ideológico vinculado ao chamado gabinete do ódio a vasculhar o passado do ministro de modo a identificar supostos pecados de Mandetta.

O objetivo da ação aloprada é difamar o ministro e criar as condições necessárias — leia-se a narrativa aceitável ao bolsonarismo — para que o presidente cumpra a promessa de “usar sua caneta” contra o auxiliar. O foco da ação está no passado das contas eleitorais de Mandetta, mas a turma também procura dentro do próprio governo. Nas últimas horas, um elemento já foi identificado pelos inimigos do ministro. Para variar, uma fake news.

Com o aval do presidente, os bolsonaristas começaram a martelar em grupos de WhatsApp uma “denúncia” contra Mandetta. O texto diz que o ministro, “de forma silenciosa e sem o aval do planalto”, renovou contratos de publicidade de 1 bilhão de reais, firmados por Dilma Rousseff em 2016, com agências de publicidade que agora “alimentam a mídia contra Bolsonaro”.

Seria essa verba bilionária que teria tornado Mandetta um fenômeno de popularidade, não seus atos na condução guerra ao coronavírus. “Mandetta virou o ministro queridinho da extrema imprensa, pois o Ministério da Saúde escoa recursos para empresas de comunicação como Globo e Band”, registra o texto. Há, no texto, até espaço para uma conspiração com a China, suposto parceiro oculto da imprensa na luta contra Bolsonaro.

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Bolsonaro, no entanto, avalia que os militares estão preocupados em manter de pé justamente a estrutura que ele quer mudar na condução da Saúde. Com Osmar Terra praticamente escalado para assumir o lugar de Mandetta, o governo só teria de reescrever orientações de confinamento e tocar o trabalho de logística já articulado pela Saúde e outros órgãos da máquina.

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Em tempo, Mandetta já foi alertado de que o clã bolsonarista vasculha seu passado. Está em silêncio, trabalhando, mas se cair, não cairá calado.


Fonte: Com Agências