A crise do novo coronavírus parece ter gerado também outras crises. Entre elas está o distanciamento do presidente Jair Bolsonaro de alguns ministros e outros integrantes de seu governo. À frente do Ministério da Saúde está Luiz Henrique Mandetta. O médico e titular da pasta tem se portado de forma profissional diante da pandemia, mas os discursos adotados pelo presidente têm contrariado recomendações dos órgãos de saúde. E antes mesmo do Covid-19, desde que assumiu a presidência, Bolsonaro tem afastado seus aliados.

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Antes de 2018 e até o momento da candidatura de Bolsonaro à presidência do Brasil, muitos políticos viam, na imagem dele, a oportunidade de crescer no cenário nacional por estarem “aliados” à figura do militar.

E em ano de eleições municipais, normalmente os candidatos seguiriam essa linha de se associar ao chefe de Estado, mas as ações negativas geradas pelas ações e palavras de Bolsonaro estão o distanciando da opinião pública e de seus aliados políticos, que antes o defendiam com muita convicção.

“Ele já perdeu muitos apoiadores e não só pela pandemia. Muito antes disso. As ações podem gerar um impacto já nas próximas eleições municipais. Com esse comportamento, a situação dele só vai se agravar ainda mais. As eleições de 2020 seria uma oportunidade dele se enveredar com o apoio dos candidatos, mas não parece que isso vai acontecer”, disse a cientista política Luciana Santana.

Durante essa fase de pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro descumpriu, e induziu as pessoas a descumprirem as recomendações da OMS e do próprio Ministério da Saúde, convocando manifestações e encontros que poderiam gerar aglomerações. Essas atitudes geraram um impasse entre o presidente e seus ministros. Informações dão conta que o ministro da Economia, Paulo Guedes e o da Justiça, Sérgio Moro, estariam “blindando” Mandetta das farpas do presidente.

“O presidente tem tomado atitudes irresponsáveis e contra as instituições competentes da área da saúde. O papel que deveria estar sendo desempenhado por ele era de coordenação, com ações alinhadas às dos órgãos, tanto é que os governadores estão seguindo as recomendações de prevenção, diferente do que tem orientado o presidente. Diferente dele, Mandetta tem agido de forma muito técnica e responsável. Se realmente estiver acontecendo essa “blindagem” ao ministro da saúde, feita pelo Moro e pelo Paulo Guedes, ela é muito importante para resguardar a saúde pública e evitar as projeções estimadas para o Coronavírus aqui no Brasil”, opinou Luciana.

Para a especialista, as perdas (de quem se aliar) são muito maiores do que os ganhos. O apoio ao presidente se torna muito negativo nesse momento. O que deve acontecer é um distanciamento dos ideais e da imagem de Bolsonaro. “Quem se associar, tem muito mais a perder, porque ele está se complicando e todo mundo fala disso. A opinião pública já começa a mudar seus olhares sobre ele”, completou a cientista.

*Estagiário sob supervisão da editoria