Jornal Tijucas - São Paulo prorroga isolamento social até o dia 22 de abril

São Paulo prorroga isolamento social até o dia 22 de abril

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Medida se dá por causa do avanço do novo coronavírus no Brasil. São Paulo é Estado mais atingido

ADAMO BAZANI

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou no início da tarde desta segunda-feira, 06 de abril de 2020, a prorrogação do isolamento social para conter o avanço do coronavírus até o dia 22 de abril.

O prazo inicial terminaria nesta terça-feira, 07.

O governador disse que tomou como base para a decisão sobre as opiniões de médicos e cientistas.

“Será que a ciência mundial está errada? Será que a Organização Mundial de Saúde está errada? Será que um único presidente da República do mundo é o certo” – declarou ao alfinetar o presidente Jair Bolsonaro, que é se declarou conta o isolamento.

“Vocês estão preparados para assinar os atestados de óbitos dos brasileiros? Vocês vão levar os caixões de quem morreu com o coronavírus” – prosseguiu ao se referir àqueles que o pressionam pela abertura novamente das atividades.

O governador ainda disse que os prefeitos devem promover o isolamento com base no decreto e que agora haverá mais rigor para que as pessoas cumpram o isolamento.

Doria ainda apelou novamente para que empresas de grande porte não demitam neste momento.

Antes da entrevista coletiva e do anúncio oficial da prorrogação do isolamento social, foram exibidos depoimentos de médicos e especialistas do Cento de Contingência.

A apresentação foi feita pelo médio David Uip que retornou nesta segunda-feira à coordenação do centro de controle

De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas, quanto menor o isolamento, mais esgotamento do sistema de saúde haverá.

Pode haver 270 mil mortes sem medida de isolamento somente no estado de São Paulo e com as medidas, o número pode cair em 160 mil em 180 dias.

Entretanto, para ter resultado, o isolamento deve abranger 70% da população e o número atual está menor.

  

ISOLAMENTO SOCIAL E RESPONSABILIDADE DO ESTADO:

Como não há vacina contra o novo coronavírus, que ocasiona a Covid-19, doença que teve origem na China; não há um remédio com eficácia comprovada plenamente e com o risco de saturação dos sistemas de saúde pública e privada; a OMS – Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde sustentam que a arma mais eficaz é o isolamento social.

Países que rejeitaram o isolamento no início da pandemia, como Itália, Espanha e os Estados Unidos agora sentem o esgotamento dos sistemas de saúde e têm número de mortos e infectados superior à capacidade de atendimento. Em muitos casos, os médicos tiveram de escolher quem iria sobreviver e quem seria deixado para morrer.

As defesas ao isolamento vertical são baseadas apenas em opiniões de alguns especialistas e não se tratam de estudos concluídos. O isolamento vertical trata-se de impedir que saiam às ruas pessoas quem compõem grupos de risco, como idosos com 60 anos ou mais ou pessoas com doenças crônicas graves, como hipertensão e diabete, por exemplo. Além disso, a realidade social e econômica brasileira não pode ser comparada a países como a Holanda, que diz ter adotado o isolamento vertical.

Jovens e adultos, que pelo isolamento vertical, dividem moradias pequenas com idosos e pessoas doentes, com poucos cômodos e um só banheiro (quando os banheiros não são comunitários entre várias moradias), podem se contaminar nas ruas e levar a doença para os mais vulneráveis em casa.

Além disso, os jovens e adultos apesar de terem menos riscos, podem parar nos hospitais e ser internados, sobrecarregando os leitos.

Assim, como aparentemente até agora o isolamento social é a única forma conhecida de evitar o caos na saúde, como ocorreu com os países que o desprezaram, o Estado deve salvaguardar a economia, apontam especialistas.


Fonte: Com Agências